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“Eu vou inventando na hora”: Alice encontra no desenho sua própria forma de criar, observar e se expressar

1 de out.
7 min de leitura

Aos 11 anos, aluna do Studio Larth revela uma relação particular com o realismo, os insetos e a obra de Van Gogh, enquanto descobre novas possibilidades para sua produção artística


Entrevista: Professora Evellyn Souza | Texto: Studio Larth

Cada aluno chega à arte por um caminho diferente. Alguns descobrem o desenho pela imaginação, outros por personagens, histórias, artistas ou simplesmente pela vontade de experimentar. No Mês do Aluno-Artista, o Studio Larth abre espaço para conhecer essas trajetórias e olhar para os estudantes para além das obras que produzem em sala de aula.  

Nesta edição, conversamos com Alice, de 11 anos, que estuda no Studio Larth há quase um ano. Seu interesse pelo desenho começou ainda na infância e, embora ela não consiga explicar exatamente como aconteceu, existe uma certeza: “eu sempre gostei”.

A entrevista foi conduzida pela Professora Evellyn Souza, que conversou com Alice sobre suas referências, técnicas, processo criativo, desafios, aprendizados e sobre aquilo que a arte representa em sua vida.


“Eu sempre gostei”

Alice não consegue apontar um momento específico em que decidiu começar a desenhar. Para ela, o interesse simplesmente esteve presente desde muito cedo.

Professora Evellyn Souza: Como surgiu o seu interesse pelo desenho, pela pintura?

Alice: “Sinceramente, eu não sei como que aconteceu, mas eu sempre gostei.”

A resposta revela uma relação espontânea com a arte. Não houve uma decisão planejada, mas uma aproximação que aconteceu naturalmente e que permanece presente em sua rotina. Hoje, quase um ano depois de começar as aulas no Studio Larth, essa curiosidade ganhou novos caminhos.

Entre insetos e o realismo

Quando Evellyn pergunta o que mais gosta de desenhar, Alice apresenta um interesse bastante específico:

Professora Evellyn Souza: O que você mais gosta de desenhar ou pintar?

Alice: “No geral eu gosto de desenhar insetos.”

O tema se aproxima de sua preferência técnica. Alice gosta especialmente do realismo, embora a escolha do material dependa do trabalho que está realizando.

Professora Evellyn Souza: Qual técnica você mais gosta de utilizar?

Alice: “Eu gosto bastante do realismo.”

Professora Evellyn Souza: É com grafite, na pintura?

Alice: “Depende muito do que eu tô fazendo.”

Essa resposta mostra uma característica importante de seu processo: a técnica não aparece como uma escolha rígida. O material pode mudar conforme aquilo que ela pretende criar.

Uma referência chamada Van Gogh

Entre os artistas que fazem parte de seu repertório está Vincent van Gogh.

Professora Evellyn Souza: Existe algum artista ou personagem que inspira você?

Alice: “Eu gosto bastante da arte do Van Gogh.”

A influência aparece de maneira concreta em um dos trabalhos que Alice considera mais desafiadores. A proposta envolvia justamente experimentar técnicas inspiradas no artista.

O desafio estava tanto na técnica quanto nas dimensões da obra.

Professora Evellyn Souza: Qual foi o trabalho mais desafiador que você já fez?

Alice: “Foi um que eu me inspirei nas técnicas do Van Gogh.”

Professora Evellyn Souza: E foi um desafio para você por conta da técnica?

Alice: “É, e também por causa do tamanho.”

Professora Evellyn Souza: Era um tamanho grande?

Alice: “Era.”

O trabalho representa uma experiência diferente dentro de sua trajetória: sair daquilo que já conhece e enfrentar uma proposta que exige domínio técnico e adaptação.

Olhar, observar e inventar

O processo criativo de Alice começa frequentemente por uma referência. Ela observa uma imagem e, a partir dela, começa a construir sua própria ideia.

Professora Evellyn Souza: Como nasce uma ideia para um desenho seu?

Alice: “Eu gosto de olhar umas referências e eu vou inventando na hora.”

Não se trata, portanto, de simplesmente reproduzir aquilo que encontra. A referência funciona como ponto de partida para uma criação que vai sendo construída durante o próprio desenho.


Quando Evellyn pergunta se Alice costuma planejar seus trabalhos ou deixar a criatividade acontecer, a resposta mantém essa mesma característica.

Alice: “Eu normalmente procuro uma referência e vou inventando na hora.”

É nesse espaço entre observar e criar que Alice desenvolve parte de seu processo artístico.

“Eu fico bem calma e concentrada”

Para Alice, desenhar também transforma sua maneira de estar naquele momento.

Professora Evellyn Souza: O que você sente quando está desenhando?

Alice: “Eu fico bem calma e concentrada.”

A concentração aparece como parte importante da experiência. O desenho exige que Alice permaneça envolvida com aquilo que está fazendo, observando detalhes, escolhendo técnicas e tomando decisões ao longo do processo.

Não é apenas o resultado final que importa. Existe também uma experiência durante a criação.

O que mudou depois que entrou no Studio Larth?

Depois de quase um ano estudando na escola, Alice percebe que seus conhecimentos foram ampliados.

Professora Evellyn Souza: O que mudou na sua forma de desenhar depois que você entrou no Studio Larth?

Alice: “Acho que expandiu bastante os meus conhecimentos assim...”

Entre os aprendizados que destaca estão a teoria da cor e o realismo.

Professora Evellyn Souza: Qual foi o maior aprendizado que você teve aqui?

Alice: “Foi, eu acho que, eu aprendi a teoria da cor... Eu aprendi mais sobre realismo, essas coisas.”

A experiência, para ela, representa justamente a possibilidade de entrar em contato com conhecimentos e práticas que antes não faziam parte de seu repertório.

Duas horas inteiras para criar

Quando fala sobre aquilo de que mais gosta nas aulas, Alice não escolhe uma técnica específica. Ela destaca o tempo disponível para desenvolver suas próprias ideias.

Professora Evellyn Souza: O que você mais gosta nas aulas?

Alice: “Que eu tenho duas horas inteiras para criar o que eu quiser.”

A resposta se aproxima de uma das características da proposta do Studio Larth: oferecer ao estudante um período contínuo para desenvolver seu trabalho, acompanhado pelos professores, mas com espaço para escolhas e interesses individuais. A escola descreve sua metodologia como personalizada e estruturada de acordo com o nível, interesses e objetivos de cada aluno.  Para Alice, esse tempo significa ter liberdade para decidir o que quer produzir.

Pedir opinião também faz parte de aprender

A presença dos professores aparece em outro momento da entrevista, quando Evellyn pergunta de que maneira eles ajudam em seu desenvolvimento.

Professora Evellyn Souza: Como os professores ajudam no seu desenvolvimento?

Alice: “Eu acho bom pedir opinião sobre o que eu tô fazendo.”

A orientação aparece, assim, como uma ferramenta para o processo de aprendizagem. Quando surge uma dúvida sobre o próprio trabalho, Alice pode recorrer ao professor para receber uma opinião e uma orientação. É uma relação que não substitui sua autonomia, mas acrescenta outro olhar ao processo de criação.

A arte que continua fora da sala de aula

O que Alice aprende no Studio Larth também aparece em outros espaços.

Ela conta que já utilizou trabalhos e referências desenvolvidos na escola em atividades realizadas no ensino tradicional.

Professora Evellyn Souza: O Studio Larth contribui para a sua criatividade fora das aulas, como?

Alice: “Sim, bastante. Às vezes eu uso como referência alguma coisa que eu fiz aqui para fazer, por exemplo, num trabalho da escola.”

O aprendizado artístico, nesse caso, ultrapassa os limites da aula de desenho. Uma experiência realizada no Studio passa a fazer parte de seu repertório e pode ser reutilizada em outros contextos.

Uma forma de expressão

Alice não pretende, atualmente, trabalhar profissionalmente com arte. Quando questionada sobre o futuro profissional, sua resposta é direta:

Professora Evellyn Souza: Você pretende trabalhar com arte no futuro, em qual área?

Alice: “Não.”

Mas isso não diminui a importância que a arte possui para ela.

Quando Evellyn pergunta o que a arte significa, Alice responde:

Alice: “Para mim a arte representa uma forma de expressão.”

A resposta aparece novamente no encerramento da entrevista, quando a professora pede que complete a frase “Para mim, a arte é...”.

Alice: “Para mim é uma forma de expressão.”

Entre as duas respostas, existe uma definição bastante clara de sua relação com o fazer artístico: a arte não precisa necessariamente estar associada a uma profissão para ter significado.

Um futuro feito de arame

Embora não imagine seguir profissionalmente pela arte, Alice já pensa em coisas que gostaria de experimentar no futuro.

Sua ideia não está limitada ao desenho sobre papel.

Professora Evellyn Souza: O que você gostaria de criar daqui a alguns anos?

Alice: “Eu iria querer fazer alguma coisa grande usando arame.”

A proposta seria tridimensional, como observa Evellyn durante a conversa.

E os temas continuam relacionados aos seus interesses:

Alice: “Insetos, órgãos, alguma coisa assim.”

A resposta revela uma curiosidade que vai além de uma técnica específica. Alice imagina trabalhar com materiais, volumes e formas diferentes, transformando seus interesses em objetos tridimensionais. Ainda não há um projeto definido. Há, antes, uma possibilidade que começa a ser imaginada.

“Você tem que falar que você consegue”

Ao final da entrevista, Evellyn pergunta qual conselho Alice daria para alguém que está começando a desenhar. A resposta está relacionada à confiança em si mesma.

Professora Evellyn Souza: Que conselho você daria para alguém que está começando a desenhar?

Alice: “Que no começo você tem que se exibir bastante, você tem que falar que você consegue fazer o que você quer fazer.”

Evellyn relaciona a resposta à autoestima.

Professora Evellyn Souza: Isso, a questão da autoestima, né?

Alice: “É.”

É uma fala que sintetiza uma dimensão importante de sua experiência: aprender a desenhar também envolve acreditar que é possível tentar, experimentar e desenvolver aquilo que se deseja fazer.

Mês do Aluno-Artista

A história de Alice integra o Mês do Aluno-Artista, projeto do Studio Larth criado para apresentar os estudantes para além de suas obras. A iniciativa registra suas histórias, referências, desafios, descobertas, processos criativos e diferentes formas de compreender a arte.  

No caso de Alice, essa trajetória passa pelos insetos, pelo realismo, pela admiração por Van Gogh, pela busca de referências e pela liberdade de inventar durante o próprio processo.

Passa também pela concentração que encontra ao desenhar, pelo conhecimento adquirido sobre teoria da cor, pela possibilidade de pedir orientação aos professores e pela maneira como leva aquilo que aprende para outros trabalhos.

E passa, sobretudo, por uma definição que ela mesma escolheu para explicar sua relação com a arte:

“Para mim é uma forma de expressão.”

Aos 11 anos, Alice ainda não sabe se o desenho fará parte de sua profissão no futuro — e não há necessidade de saber. Por enquanto, ela continua observando, experimentando e criando. Entre o realismo e a imaginação, entre os insetos e as possibilidades de construir algo com arame, existe uma artista em formação descobrindo, à sua maneira, aquilo que pode fazer com o próprio olhar.


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